quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Esta é a Cidade
«(...)
Aperfeiçoo a focagem.
Olho imagem por imagem
numa comoção crescente.
Enchem-se-me os olhos de água.
Tanto sonho! Tanta mágoa!
Tanta coisa! Tanta gente!
são automóveis, lambretas,
motos, vespas, bicicletas,
carros, carrinhos, carretas,
e gente, sempre mais gente,
gente, gente, gente, gente,
num tumulto permanente
que não cansa nem descansa,
um rio que no mar se lança
em caudalosa corrente.
Tanto sonho! Tanta esperança!
Tanta mágoa! Tanta gente!
(...)»
António Gedeão
sábado, 2 de outubro de 2010
Baú
"O prolongar do tempo, o ponteiro do relógio redondo que acompanhava o rio e a ponte e a janela onde demorava a combustão dos cigarros, as cartas atiradas ao chão e ao vento. (...) Vinhas devagar, delicado, suave (...) Mas sonhos, tudo isto são sonhos. Imagens que se encontram, melodias distantes."
As minhas noites de insónias entre lágrimas e cigarros na varanda onde a tua casa me fita não cessaram. Durante muito tempo culpei-me a mim. Cometi erros atrás de erros e remediei arrependimento com maior arrependimento e dor com isolamento. Depois culpei-te a ti. Ainda o faço, por vezes. Sempre achei que, desse por onde desse, a minha vida estagnara para sempre nesse momento. E que sozinha, dormente, era a única forma de estar. Todas as manhãs eram um mar de lágrimas, repetidas ao cair da noite. O dia e os calmantes moviam-me mecanica e inanimadamente. Agora sou capaz de olhar em retrospectiva, vejo as coisas mais claramente. Embora ainda pense que há demasiado cinzento e subjectivo nisto. Percebi que existe, de facto, um motivo, ainda que amargo e velhaco, para quase tudo e que pode haver cor para além de ti. Decidi deixar de culpar, deixar de odiar. De sofrer, de morrer. E agora resta-me saber quando é que tu o irás fazer.
domingo, 13 de junho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Quero ficar sempre assim. Estagnar nesta harmonia e equilíbrio perfeitos, neste estado de espírito surreal.
Não quero ter de acordar mais uma vez no pesadelo de ver a cama vazia e desfeita e a noite para trás de nós. Não quero sentir consciência nem o pesar do que sou ou da tua ausência em mim.
Não quero voltar à realidade, escolho ser irreal.
domingo, 23 de maio de 2010
Êxtase
Muitas vezes, sou absorvida por uma arrebatadora vontade de pôr uma mala às costas, fechar a porta e fugir de tudo o que me rodeia por algo tão simples como o êxtase, puro êxtase e viver apenas em função disso. Adorava experiênciá-lo, nem que apenas por uma noite e atingir o limiar de prazer que o corpo nos pode proporcionar.
Dançar na chuva, gritar, cantar, rir e rebolar na relva no mais puro e inatingível dos sentimentos. Deixar-me vibrar e tremer de excitação e emoção, sentir arrepios percorrerem-me cada centímetro da pele, sem me preocupar com absolutamente nada, isolando-me num universo da mais satisfatória e prazerosa felicidade. Quebrar toda e qualquer rotina ou monotonia, exceder os meus limites, partir numa busca desenfreada, numa aventura infindável. Deixar expandir o meu eu, permitir à minha mente descobrir de pés descalços trilhos que nunca percorreu, sentir o meu coração explodir ao ritmo de uma bateria e vozes rasgadas por cima de guitarras melódicas e aceleradas. Sentir e viver tudo a um ritmo alucinante. "Sentir tudo de todas as maneiras".
Subscrever:
Mensagens (Atom)